hot dog.
— Cara, você não pode dizer que faria alguma coisa e não fazer.
— To falando pra vocês. Duvidam?
— Conversa!
— Então vai lá…
*
Podia, ou queria, a essa altura já não entendia muito bem a diferença.
Os verbos se confundem depois de algumas doses que você nem lembra ter tomado mas paga de bom grado pra sair logo do bar, antes que ela mude de ideia.
Por isso foi em frente. Saíram. E a cada passo ela lhe parecia insuportavelmente mais provocante e quando abriu a porta do carro para que entrasse, jurou nunca ter visto um vestido tão perfeitamente sob medida para um corpo. Era cinematográfico. Embasbacante.
Foram conversando no caminho sobre alguma coisa que ele jamais vai se lembrar direito. O que ela falava pouco importava, mas a boca dela se movendo era o suficiente para acabar com a capacidade cognitiva de qualquer homem saudável. Era imprescindível ir em frente, não tinha o que fazer. Afinal podia, ou queria. Não era hora de pensar nisso.
A câmera do elevador não constrangeu. Ninguém sabe quem deu o primeiro passo, mas a resposta foi a altura. E a réplica, e a tréplica, e mal chegaram ao quarto, esbarraram na sala. Queria ver o quanto podia ir. Queria a respiração dela o mais perto possível. O seu oxigênio, o perfume dela entrando em seus poros. Enfincar as unhas. Mãos, olhos, pele, numa massa disforme e única. Podia dissolver-se nela, só pra ver se sairia inteiro.
E não importava quantas vezes pudesse, sempre iria querer.
*
A repetição é uma condição. Mas não existem repetições, apenas um querer de novo incansável. E essa é toda a diferença.