células [1]
- Que pesa mais? 3,7 quilos de picanha ou um canal dentário?
- Uma vez um amigo me disse que tinha a sensação de que nas festas (esses grandes eventos juvenis regado a álcool e músicas de gosto suspeito; praticado com maior ênfase no ingresso da faculdade (mas não necessariamente) que, difere de uma balada qualquer (balada! Não me acostumo com essa palavra), por exemplo, pelo fato do público participante derivar de um grupo controlável e um nicho minimamente próximo que convive com você, de tal forma que esse habitat comumente vivenciado na rotina se desloca para dentro desta tal festa propiciando todas as quebras de protocolo, abertura de todas as válvulas de escape, supressão e quase aniquilação do superego) a maioria das pessoas saía perdendo e não, ao contrário do que possa parecer, ganhando. Discordei. Mas não tenho certeza.
- Eu sou exatamente aquilo que nunca imaginei ser quando crescesse.
- A ironia está em alta. E há muito tempo. Isso me preocupa. Preocupa pois perde-se muito facilmente a mão entre o seu uso como ferramente de humor ou como ferramenta de opressão. A ironia ganhou o status de comentário sofisticado. Não é uma simples constatação – é a superação dela. ironizar é estar acima. Assim, todos querem tecer o seu comentário sofisticado blasésuperiorarrojadointelectualcomovocênãopercebeuissoantesmeubem?
Quem ironiza primeiro, vence o jogo. A ironia como forma de deixar o rei nu, por vezes, é perversa. Isso me preocupa.
- Se eu fosse um animal, seria camaleão. Se fosse uma comida, seria aquele pacote de feijões de todos os sabores do Harry Potter. Se fosse um objeto, seria aqueles anéis da infância que mudavam de cor segundo o humor de quem usava (alguém lembra disso?).
- Ouvi o cd debut do XX tardiamente. Não sabia o que estava perdendo. De alguma forma sinto que ele é a voz/síntese precisa de toda uma geração, mais especificamente, o adolescente de hoje (por mais que ele possa não se reconhecer. Isso é outra conversa). Falando assim, sem argumentos não tenho crédito nenhum, eu sei. Ainda vou escrever detalhadamente sobre isso, só não sei como. Isso porque esbarrei numa questão intermediária: sempre acreditei fortemente nas diferenças e especificidades culturais, mas alguma espécie de intuição onírica me diz que esse álbum fala de uma juventude universal sem tocar diretamente em valores universais. Por sua vez essa percepção me arremessou pra outra especulação – O desenvolvimento assombroso nos meios de comunicação/interação, que aproximam o mundo cada vez mais, suprimindo espaços, distâncias, barreiras, não estariam também aproximando, juntando, coletivizando, universalizando as nossas questões, as questões, por exemplo, de toda uma geração que nasceu imersa nesse cenário?
Enfim, preciso pensar mais.
- Meu próximo texto vai se chamar café e flores. Meio fofo demais, não? Talvez mude de idéia.